CIDADES COMO PLATAFORMAS

CIDADES COMO PLATAFORMAS

As prefeituras estão começando a se tornarem digitais, tanto para processos internos de fluxo de trabalho quanto para novas formas de engajar seus cidadãos. Desde que os municípios começaram a investir em computadores, no final da década de 1960, as cidades contavam com computadores para processar grandes quantidades de dados sobre impostos, custos de reparos de estradas, etc, e a gerar relatórios em papel para os gestores interpretarem.

As cidades tradicionalmente criam ilhas de software que não conseguem se comunicar umas com as outras, e até mesmo as repartições públicas não se conectam, em muitos casos, tanto a esfera municipal, estadual e até federal.

Hoje, em vez de ilhas separadas de sistemas que não se comunicam, as cidades devem imaginar uma plataforma que ofereça suporte e interconecte todas as funcionalidades digitais que a cidade precisa para atender aos requisitos operacionais internos e envolverem-se com seus cidadãos.

Para facilitar esse entendimento, são necessárias algumas regras, a serem adotadas pelas cidades que estejam considerando fazer grandes investimentos em sua infraestrutura de TI, como:

  1. Identifique as principais interações e defina todos os principais usuários dos dados municipais e suas necessidades e intenções. Isso inclui departamentos da cidade, organizações sem fins lucrativos, empresas de serviços públicos, agências municipais, estaduais, federais, e cidadãos.
  2. Defina os dados que alimentam essas interações e quais dados podem tornar as interações existentes mais eficientes.
  3. Liste os requisitos de uma plataforma de software da cidade. Um sistema de software ou muitos? Fonte fechada ou código aberto? Círculo virtuoso ou estático? Os usuários serão os cidadãos ou apenas funcionários?
  4. Liste as ferramentas de software necessárias para criar a plataforma de software que a cidade prevê para seus constituintes. Alguns programas de software atuais precisam ser arquivados ou reprojetados? Eles precisarão estar ligados uns aos outros e aos bancos de dados comuns? Quais novas ferramentas de software são necessárias?
  5. Liste regras para projetar e operar um sistema de software de cidade. Quais são os princípios fundamentais que regem o investimento e o uso de software? Quem são os constituintes que se beneficiarão? Como o acesso será fornecido? Como a precisão será mantida? Como a privacidade será garantida?
  6. Garanta a privacidade do usuário, a privacidade dos cidadãos e a segurança dos dados. Como isso será realizado? Quem será responsável? Quem terá supervisão do controle de qualidade?
  7. Identifique os produtores de dados e dê uma olhada nos dados que você tem das operações da cidade, ambos diretamente relacionados às responsabilidades de coleta de dados da cidade e de outras agências que atendem à cidade.
  8. Identifique os consumidores de dados como uma entidade governamental, já que as cidades têm requisitos legais, regulatórios e políticos a serem cumpridos.
  9. Meça a utilidade, como melhorar a eficiência e a repetibilidade das principais interações. Engajamento do cidadão? Conformidade legal e regulamentar?
  10. O objetivo final de uma nova cidade do século XXI como plataforma é que ela pode operar um ciclo de feedback virtuoso, em que os fornecedores de informações fornecem os dados necessários aos usuários de informações e em que esses usuários têm a oportunidade de interagir com elas de maneiras que atualizem e reformulem o fornecimento de dados que são fornecidos para que novas fontes e ferramentas de software evoluam para atender às novas necessidades do usuário.

Ao olhar para as cidades como plataformas, os governos começam a perceber que a expertise não é centralizada, mas distribuída entre todos os olhos da cidade. A governança não significa apenas obter a maioria dos votos durante as eleições e atribuir tarefas às burocracias. Trata-se também de coletar e curar informações de forma eficiente, vindas de cidadãos e outros pontos de dados, a fim de enriquecer o processo decisório.

De fato, o crowdsourcing cívico, que nada mais é que a colaboração massiva que prestam indivíduos que não fazem parte de uma entidade ou instituição, está mudando drasticamente a relação entre as cidades e seus cidadãos no mundo todo. No sistema de governança tradicional, todo cidadão tem um único voto a cada período de tempo. Hoje, usando tecnologias digitais, é muito mais fácil expressar sua opinião como cidadão. Portanto, coletar as idéias em uma interface de fácil usabilidade para os cidadãos é um primeiro passo na direção certa para os municípios. Uma solução digital deve ser projetada de tal forma que, para um cidadão sugerir uma ideia, seja tão fácil quanto contar até três.

No entanto, os governos geralmente não possuem recursos internos para desenvolver o software. É por isso que as autoridades públicas estão cada vez mais buscando soluções de software em nuvem para ajudá-las a preencher a lacuna entre a cidade e seus habitantes.

Governos devem se concentrar em seu núcleo, que é servir o cidadão com serviços públicos otimizados. O poder do crowdsourcing participativo vai além de simplesmente coletar e curar ideias, fica ainda mais interessante quando as ideias são analisadas e pode-se derivar preferências entre os diversos grupos de cidadãos. Qual gestor de cidade não estaria interessado em descobrir o que cidadãos de diferentes bairros pensam sobre suas ideias ou preferências? Como as opiniões diferem entre os diferentes grupos de faixa etária? Os insights de dados ajudam as cidades a alcançarem uma tomada de decisão pública mais inclusiva e acertiva?

No conceito de cidade como plataforma, os dados estão abertos e tornam as prefeituras mais porosas, convidam à cooperação intersetorial e iniciam um engajamento aprimorado entre cidadãos e cidades. Um governo aberto, como um facilitador para inovações lideradas por cidadãos, é o ambiente preferido para criar cidades melhores.

Todos esses desafios de cidade como plataforma, coletar dados, interface com cidadão, gestão de resolutividade são atendidas em grande parte pelo CityOpen, uma plataforma orientada pela comunidade para governança urbana inteligente.

Governos precisam planejar, gerenciar e governar cidades de forma mais sustentável, já que maximizar as oportunidades econômicas e minimizar os danos ambientais são os grandes desafios que praticamente todos os países vão enfrentar neste novo século. Os recursos públicos precisam ter melhor utilização e os ativos naturais precisam ser explorados de forma consciente e responsável. Para gerenciar e melhorar as cidades, é preciso conhecer o que ocorre nelas, em suas diferentes regiões, e isso só é possível com mudanças nas estruturas de governo, nos processos de comunicação e participação dos diferentes atores que atuam em sua gestão e o mais importante, criar um ecosistema para que governos possam não só ouvir o cidadão, mas colaborar e compartilhar desafios e resolutividades.


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