CIDADES INTELIGENTES PARA PESSOAS

CIDADES INTELIGENTES PARA PESSOAS

As cidades estão sendo impulsionadas mais do que nunca pela tecnologia, porém, a transformação digital está apenas começando. Até 2050, como já vimos cerca de 70% das pessoas estarão vivendo em cidades, e elas deverão fazer mais pelos seus cidadãos. Uma cidade inteligente não é apenas uma tendência, mas um conceito para ser colocado em prática. Uma cidade conectada, ágil e inovadora utiliza amplamente a tecnologia digital, não apenas as tecnologias de informação e comunicação, mas também o potencial da IoT para abraçar os desafios de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos nas cidades, além de impulsionar a atratividade econômica local, o que é fundamental.

Existem dezenas de conceitos de cidades inteligentes, porém vou trazer apenas dois:

a) Uma cidade inteligente é uma área urbana que usa diferentes tipos de sensores de IoT para coletar dados e usar esses dados para gerenciar ativos e recursos com eficiência.

b) Segundo a União Européia, uma cidade inteligente é um lugar onde as redes e serviços tradicionais se tornam mais eficientes com o uso de tecnologias digitais e de telecomunicações para o benefício de seus habitantes e negócios.

Já na minha visão e entendimento – que, inclusive, tenho usado em minhas apresentações sobre cidades inteligentes, “uma cidade inteligente parte da perspectiva de que a tecnologia é fator indispensável para que as cidades possam se modernizar e oferecer serviços para melhorar a qualidade de vida do cidadão. Em outras palavras, uma cidade pode ser considerada inteligente quando o ambiente conspira a favor do cidadão”.

Desde a década de 80 nos Estados Unidos, devido a migração, começou-se a falar de cidades inteligentes. Nos últimos 30 anos, isso evoluiu muito, um pensamento que passou de tecnologia para outras variáveis, não só tendências, mas conceitos para se colocar em prática.

Os conceitos que mais tem se fundamentado e considerado fatores de sucesso para se construir cidades inteligentes está baseado em pelo menos três principais pilares. O primeiro é tecnologia, não apenas a tecnologia da informação e comunicação, mas a internet de todas as coisas; o segundo precisa estar orientado ao cidadão – na década de 80 era tecnologia por tecnologia, mas hoje precisamos usar a tecnologia para resolver o problema nas cidades; e em terceiro é utilizar as novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida do cidadão nas cidades, melhorias no transporte, na saúde, educação, na infraestrutura básica como água e esgotamento sanitário, entre outros.

E uma pergunta que faço é: por que precisamos de cidades inteligentes? Bem, está muito claro que, primeiro, é para resolver os problemas da migração urbana. Segundo, porque a sociedade está mais inteligente; e terceiro porque os millennials tem uma perspectiva de vida completamente diferente da Geração X, eles são conectados, são multi-telas, querem co-criar, compartilhar e colaborar nessa nova economia. Além disso, eles tem um sentimento de cidadão completamente diferente da Geração X.

Com isso, as cidades precisam se estruturar mais do que nunca. A demanda por serviços de qualidade, acessíveis a toda a população, só cresce, ao passo que a capacidade dos governos locais em atender às exigências é desafiada.

Mas, ao mesmo tempo que esse crescimento urbano ocorre, as tecnologias que temos à disposição também se tornam mais acessíveis, variadas, amplas, coletando dados por meio de sensores, por meio de softwares e aplicativos, e tudo isso pode ser utilizado nas cidades para otimizar serviços.

Chamamos de cidades inteligentes aquelas que utilizam essas tecnologias e outras estratégias a fim de melhorar a qualidade de vida e a eficiência no uso de recursos públicos. Pode não parecer, mas muitas já utilizam essa lógica. Porém, na prática, não é o que vemos. Mesmo assim, muitas pessoas ainda não acreditam viver em uma cidade inteligente, quando essa é anunciada em mídias e divulgações feitas. Mas, porque o cidadão ainda não percebe suas cidades como inteligentes? Bom, muitas vezes porque elas não são inteligentes para as pessoas. Arrisco a afirmar que a coleta de dados não parece ser empregada para melhorar os serviços ao cidadão, mas para atender a interesses governamentais e até mesmo privados.

Governos têm visões diferentes sobre o que realmente é uma cidade inteligente. A verdade, porém, é que basta que existam projetos que envolvam tecnologia, dados e insights vindos dos feedbacks das pessoas que realmente sirvam para aumentar a qualidade de vida. Só com isso, podemos considerar que a cidade está indo no caminho certo.

É necessário valorizar o ser humano e colocá-lo no centro das cidades inteligentes. Se os serviços não mudam para ele, a mudança não é efetiva. Indo ao encontro do conceito de inovação, que só é inovação quando percebida pelo mercado, precisamos pensar de maneira exponencial e passar a usar as novas tecnologias para resolver o problema do cidadão nas cidades.

Ao olhar para os desafios futuros, o crescimento global deve ser sustentável e equitativo. Precisaremos alterar o equilíbrio entre a rápida urbanização e o consumo incessante de recursos que ela alimenta. Este foi um dos principais objetivos apresentados na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável no Rio + 20 em janeiro de 2012, que já alertava para as pressões sem precedentes que o crescimento econômico irá impor nas próximas décadas em infraestrutura e especialmente em transporte, moradia, disposição de resíduos – em especial de substâncias perigosas e fontes de energia.

A batalha para manter as cidades do mundo em dinâmicas sustentáveis pode ser conquistada através do desenvolvimento de maneiras inovadoras de consumir nossos recursos limitados, sem diminuí-los ou degradar os sistemas ecológicos dos quais eles dependem e, para conseguirmos esse feito, o mundo precisará enfrentar seis grandes desafios, e quando falo de mundo, me refiro novamente as cidades, pois é nelas que as pessoas vivem, trabalham e se relacionam uns com os outros.

O ranking Smart City Strategy – SCSI 2019 apontou que apenas 153 cidades em todo o mundo têm uma estratégia oficial de cidade inteligente. Cidades inteligentes de sucesso tendem a ter uma coisa em comum, uma abordagem estratégica sólida. Isso garante a integração de diferentes vertentes e evita soluções paliativas. Por exemplo, os serviços de e-mobilidade são bastante simples de apresentar a uma cidade, mas uma cidade inteligente também precisa integrá-los em sistemas inteligentes de gerenciamento de tráfego e alimentá-los através de redes elétricas inteligentes. As estratégias também promovem soluções intersetoriais, como plataformas de dados, redes de sensores e integração de serviços. Além disso, eles ajudam a definir um cronograma e responsabilidades pela implementação.

Na avaliação do ranking, apenas 250 cidades possuem documentos relacionados à estratégia de cidades inteligentes acessíveis abertamente. Destas, 98 cidades (39%) tem menos de 500.000 habitantes, demonstrando uma dinâmica crescente entre cidades menores. Das 250 cidades, foram selecionadas apenas 153 que publicaram estratégias oficiais. Isso é quase o dobro do número no ranking do SCSI 2017. A participação igual das pequenas, médias e grandes cidades destaca que o tamanho não é um indicador da existência de uma estratégia, porém as análises seguem diversos critérios que são fundamentais para uma estratégia abrangente de cidade inteligente, em que seis deles estão relacionados a áreas concretas nas quais as soluções podem ser implementadas, tais como edifícios e mobilidade, chamados de campos de ação, e outros seis critérios são fatores que contribuem para a estrutura de atividades concretas de cidade inteligente, chamados de facilitadores.

Viena se firmou na comparação global de estratégias de cidades inteligentes contra 152 grandes cidades pela segunda vez consecutiva. O primeiro ranking em 2017 foi liderado por Viena, com Londres em segundo lugar e a cidade de St. Albert, no Canadá, em terceiro lugar.

Populações em crescimento, congestionamento de tráfego e poluição do ar são desafios enfrentados por cidades de pequeno e grande porte em todo o mundo. Esses problemas poderiam ser resolvidos com tecnologias digitais incorporadas em uma estratégia de cidade inteligente a nível global.

Os centros urbanos, portanto, precisam pensar de forma integrada se quiserem vincular ações individuais a uma estratégia de cidade inteligente bem-sucedida. Essa foi uma das descobertas do segundo SCSI 2019.

Em 2019, Viena liderou novamente em primeiro lugar devido à sua estratégia de estrutura integrada e soluções inovadoras para mobilidade, meio ambiente, educação, saúde e administração pública, bem como um sistema para monitorar o progresso dos projetos individuais.

Interessante analisar o ranking de 2017 e 2019, no qual o número de cidades com uma estratégia de cidade inteligente quase duplicou nos últimos dois anos, passando de 87 para 153. No entanto, 90% dessas cidades ainda não possuem uma estratégia de cidade inteligente integrada e, mesmo assim, a estratégia é apenas o primeiro passo, mas é a implementação que realmente conta, a prática de tirar do papel e fazer acontecer.

Viena tem boas pontuações em suas ofertas avançadas de e-health, por exemplo, sendo a primeira cidade do mundo de língua alemã a oferecer dados públicos abertos. Londres está equipando postes e bancos com funções como wi-fi público, sensores de qualidade do ar e pontos de carregamento de veículos elétricos, e Cingapura, por sua vez, está executando um projeto piloto de identidade digital nacional na forma de seu sistema de autenticação SingPass e também está instalando iluminação inteligente, ônibus autônomos e soluções de telemedicina.

Percebo que, ao ler o relatório, ainda há muito trabalho a ser feito na implementação das estratégias. Muitas vezes, isso não é culpa das estratégias em si, mas sim porque as responsabilidades não são claras. Em muitos casos, não há uma função de coordenação equipada com o conhecimento adequado para impulsionar o projeto, daí a necessidade da busca pelas parcerias entendidas no assunto.

Entidades centrais de tomada de decisão, como um CDO – Chief Digital Officer, um diretor digital da cidade, como Londres e Viena possuem, são o que as cidades precisam criar. Estes profissionais possuem conhecimentos técnicos e gerenciam projetos de forma centralizada, além de coordenar os interesses divergentes da cidade, do governo e dos fornecedores de serviços e soluções. Portanto, coordenar todos os grupos envolvidos é uma das chaves para uma estratégia bem-sucedida para criar cidades inteligentes. Além disso, um quadro jurídico transparente também se faz muito importante, justamente para tratar da estrutura legal para proteger todos os dados reunidos e, como já é sabido, as cidades devem desenvolver infraestruturas que permitam realmente usar os dados.

Fica muito claro que o sucesso de uma cidade inteligente depende das ações de três principais grupos: os planejadores urbanos, provedores de soluções e autoridades do governo. Baseado na extensa pesquisa de benchmarking e know-how em soluções de tecnologias, que originam o desenvolvimento de uma plataforma como o CityOpen, sendo base para construir cidades mais inteligentes e inclusivas, trago algumas estratégias para implementação de projetos de cidades inteligentes que podem servir como guia para iniciar projetos de cidades inteligentes.


Recommended Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *