SOCIEDADE 5.0

SOCIEDADE 5.0

O Japão foi o primeiro país do mundo a criar um plano de transformação social, saindo da indústria 4.0 para a sociedade 5.0. Enquanto o envelhecimento da população é um desafio para a maioria dos países, é particularmente assim para o Japão, que tem, de longe, a população “mais velha” com cerca de 26,3% dos habitantes com mais de 65 anos de idade.

A sociedade 5.0 no Japão tem como objetivo – além da questão da saúde e de outros aspectos da sociedade que são afetados pelo envelhecimento populacional, a mobilidade nas formas como vivemos na prática, moradia e assim por diante – enfrentar os desastres naturais e a poluição. Para conseguir isso, a Keidanren – Japan Business Federation, publicou um documento de visão no qual descreve que enfrentar os desafios da sociedade 5.0 exigirá a quebra de algumas barreiras.

Entretanto, assim como na Indústria 4.0 como a quarta revolução industrial, a “Society 5.0” também é descrita como uma evolução em cinco estágios sociais no papel de posição da Keidanren:

  1. a sociedade de caça;
  2. a sociedade agrária;
  3. a sociedade industrial;
  4. a sociedade da informação; e
  5. a sociedade super-inteligente, também conhecida como Society 5.0.

Portanto as barreiras a serem quebradas pela sociedade 5.0, na visão do Japão são:

Os muros dos ministérios e agências: com a necessidade de, uma “formulação de estratégias nacionais e integração do sistema de promoção do governo”, incluindo a arquitetura de um “sistema IoT prático” e uma função de think-tank.

O muro do sistema legal: por onde as leis precisam ser desenvolvidas para implementarem técnicas avançadas. Na prática, isso também significaria reformas regulatórias e um impulso de digitalização administrativa para todos os responsáveis pela captura de documentos e gerenciamento de informações.

O muro das tecnologias: a busca pela formação da “base do conhecimento”. É claro que os dados acionáveis têm um papel fundamental aqui, assim como todas as tecnologias/áreas para protegê-las e aproveitá-las, desde a segurança cibernética até a robótica, nano, biotecnologia e tecnologia de sistemas. O documento também menciona um sério compromisso de P&D em vários níveis.

O muro dos recursos humanos: a reforma educacional, a alfabetização em TI e a ampliação dos recursos humanos disponíveis com especializações em habilidades digitais avançadas são apenas algumas delas.

O muro da aceitação social: esse é o aspecto mais relacionado à sociedade de todos, onde o “esboço” da Keidanren não apenas enfatiza a necessidade de um consenso social, mas também de um exame completo das implicações sociais e até questões éticas, entre outras, no que diz respeito à relação homem-máquina e, como dito, até questões filosóficas, como definir o que a felicidade individual e a humanidade significam.

As cidades têm um grande impacto no desenvolvimento econômico e social das nações. Elas são verdadeiras plataformas onde as pessoas vivem e trabalham, onde as empresas realizam suas atividades e os serviços são fornecidos. Dado este cenário, as autoridades públicas devem levar em conta aspectos como a eficiência, o desenvolvimento sustentável, a qualidade de vida e a sábia gestão dos recursos públicos, bem como desenvolvimento de políticas para combater os desafios futuros que chegarão – assim como o Japão – que está saindo na frente, para criar uma sociedade super inteligente.

Tenho visitado, nos últimos dois anos, inúmeras cidades em diversos estados do Brasil, e confesso que a maioria das nossas instituições públicas enfrentam desafios como infraestrutura envelhecida, transporte inadequado e muitos processos burocráticos ineficientes, com um modelo de gestão do século XIX, atuando com ferramentas do século XX e tentando resolver problemas do século XXI.

Portanto, as cidades devem repensar de maneira urgente como operam suas infraestruturas e como prestam serviços aos seus cidadãos. Cidades que realizaram as suas transformações digitais organizaram agendas para, junto com a comunidade, reunir os principais desafios e, com base nisso, criarem suas agendas de transformação digital. Isso só será possível ao reunirem as pessoas e recorrerem às ferramentas digitais, atuando com os dados e sistemas legados conectados de forma mais inteligente e eficiente, além, é claro, da colaboração de seus agentes, departamentos e setores para colocarem em prática suas agendas.

Nossas cidades devem crescer de maneira mais inteligente, humana e sustentável, fornecendo aos cidadãos e às empresas melhores ambientes para impulsionar o crescimento econômico com foco total na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Neste capítulo, quero abordar como as cidades podem então aproveitar as tecnologias emergentes para implementar projetos e abraçar as plataformas em nuvem para contenção de gastos, segurança e obterem flexibilidade. Atualizar as práticas para otimizarem sua força de trabalho, permanecendo em conformidade e abordando questões de privacidade, acessibilidade e segurança cibernética.

Existem inúmeros estudos de caso que podem ajudar planejadores e gestores de cidades a se tornarem mais inteligentes, resilientes e inovadores, a fim de melhorar a resolutividade dos desafios atuais, implementando e buscando fazer parcerias com outras cidades e instituições.

Novamente, trazendo o conceito de que não será apenas a escolha de tecnologias que farão as cidades inteligentes, e sim um conjunto de pessoas, uma cultura digital, de propósitos, uma visão de futuro e, portanto, as agendas que comportarem essa estrutura terão sucesso em suas transformações digitais.


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